Chega de pedir desculpas. Pelas minhas lágrimas, pelo meu jeito de ser. Pela minha carência e por todos os meus erros. Se chorei é porque me machuquei. Se minha carência é grande é porque falta alguém aqui. E se errei foi pra aprender alguma coisa. É isso. Chega de pedir desculpas por coisas que eu não controlo, por aquilo que eu não tenho culpa. Cansei de me desculpar por ser quem eu sou. É melhor viver assim, sem culpas, despreocupado e com a certeza de que não fui eu quem escolheu ser desse jeito.
Na verdade eu nunca iria entender, eu só poderia sentir, não podia nunca tocar e muito menos ter. Tocar, sentir, ter; era o que eu mais queria, ouvir sua voz então… Nossa! Mas a verdade é que eu nunca poderia entender, entender o motivo de eu te amar tanto e você não ligar pra mim, eu não posso entender o motivo, eu não posso continuar te ligando arrumando desculpas pra ouvir sua voz e você desligando, não posso ficar aqui esperando você me procurar, eu não posso continuar aqui, eu perdi tempo demais tentando entender um amor que nunca existiu.(Wounded Pride)
E foi assim, colecionando magoas e outros sentimentos ruins que eu me coloquei um passo a frente. Terceira Safra
Pirulitos se tornam cigarros. Inocentes viram vadias. Dever de casa vai pro lixo. Celulares conectados no twitter durante a aula. Detenção se transforma em suspensão. Refrigerante se torna vodka. Bicicletas viram carros. Beijos viram sexo. Vocês se lembram de quando usar proteção era botar um capacete? De quando a pior coisa que você poderia levar de garotos eram cosquinhas? De quando os ombros do pai eram o lugar mais alto e inatingível e mamãe era nossa heroína? Aliás, lembram-se de quando heroína era o feminino de herói? De quando seu pior inimigo era seu irmão? De quando war era só um jogo de cartas? De quando a única droga que você conhecia era remédio pra tosse? De quando remédio pra tosse era realmente usado pra curar tosse? De quando usar uma saia não te transformava numa vadia? A maior dor que você sentia era quando ralava os joelhos e os “adeus” duravam até só o amanhecer de outro dia. E nós não podiamos esperar por crescer?

Um dia desses eu vi o mundo em festa, vi tudo da minha janela, vi pessoas sorrindo, eu quis sorrir, eu parei e pensei. “Eu não vou mais lamentar”. E então eu fui, fui festejar, eu beijei, eu pulei, eu sorri, mas quando eu pulava a gravidade me prendia no chão, o beijo me deixou triste, e o sorriso era falso. Não adianta eu não vou mais voltar a ser o que eu era, o melhor lugar pra mim é aqui, dentro do quarto olhando da janela, eu não gosto de nada que não seja verdadeiro eu não gosto do meu sorriso. Eu me tornei chata, eu não gosto de ir na rua porque eu vou encontrar alguém que eu conheço e vou ter que sorrir, mas eu não gosto, não gosto de sorrir, não gosto quando elas passam e falam ”Oi, tudo bem?” e continuam andando, na verdade ninguém se importa mais com nada, e eu olho da minha janela mais uma vez e vejo que se eu sair posso me machucar, dentro do meu quarto eu vi que não existe pessoa melhor para ficar comigo do que eu mesma. (Wounded Pride)